Dispositivos de Escola

A Escola Letra Freudiana tem como base três dispositivos de transmissão em psicanálise: cartel, reunião de trabalho clínico e passe. Cada um deles é constituído por um número preciso de integrantes, obedecendo a lógica do não todo própria do discurso analítico. São três lugares que promovem o trabalho no coletivo. Neles se elaboram questões cruciais da prática analítica, do saber da psicanálise e da função do analista. Um dispositivo implica o que há de mais Real na experiência analítica e força um enodamento com o Simbólico e o Imaginário.

Cartel

A Escola Letra Freudiana, desde sua fundação, situa a estrutura de cartel como um dispositivo fundamental na formação do analista. Tal como proposto por Lacan, em 1964, ao fundar a École Freudienne de Paris, o cartel deve ser composto de 3 a 5, +1, sendo 4 a medida certa (4+1).

Reunidos em torno de uma questão da psicanálise que os interpela, os integrantes do cartel fazem laço com a Escola através da transferência de trabalho que abre a uma permanente interrogação do saber e do limite da transmissão da psicanálise. Esse dispositivo singular permite, com a lógica que lhe é própria, que o que se diz e elabora nele, se decanta como um produto de cada um.

Reunião de Trabalho Clínico

Esse dispositivo dá lugar a um dizer sobre a função do desejo do analista em cada análise. Constitui-se pela lógica do coletivo e se caracteriza por estabelecer laços entre um número definido de membros que trabalham com certa frequência e tempo de duração.

No momento de concluir, um escrito sobre a experiência deverá passar à Escola. A Secção Clínica é um espaço na Escola no qual se acolhem os trabalhos produzidos nesse dispositivo.

Passe

O passe é um dispositivo baseado na Proposição de 9 de Outubro de 1967 de Jacques Lacan.

A raiz da experiência do campo da psicanálise em extensão, que motiva a Escola, deve ser encontrada na própria experiência analítica, ou seja, na intensão. O passe, como experiência coletiva da Escola proporciona certa luz sobre a passagem de analisante a analista. É preciso que se diga algo do instante da emergência do desejo do analista como efeito da análise.