Lugar

O Lugar, nas noites de quarta-feira na Escola Letra Freudiana – uma por mês – é um dos pontos de encontro entre Escola e cidade  sustentando nossa política de manter as portas abertas a tutti quanti. Diante de uma plateia de analistas e não analistas, um convidado fala de seu trabalho, de seu processo de criação. À moda de Pirandello, alguma coisa acontece na sala, e ela se livra do cotidiano.

Alguns textos dos convidados desses encontros estão publicados na Revista Lugar da Escola Letra Freudiana.


Alyne Camargo de Mattos
Deborah Tenenbaum
Josely Brasil de Matos Guedes
Mônica Coutinho Herszage
Sonia Haddad

Uma quarta a cada mês, às 21h. 

 

Acontecências no Lugar

“A gente se esforça para que as coisas aconteçam de novo, e trabalha a favor da repetição”

“A literatura é um lugar onde a gente pode imaginar passados, presentes e futuros, principalmente futuros… mesmo que a gente vá falar de um passado, as vezes nem tão bonito e honroso, é sempre com a intenção de não repetir ou ao menos que se possa refletir sobre ele.”

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Eliana Alves Cruz no Lugar, 29 de setembro de 2021. 

 


O que nós perdemos?  O que nos foi negado?

Sou parte de um povo indígena, povo Munduruku, um dos 305 povos originários que existem ainda hoje no Brasil. Na verdade, temos que pensar a diversidade linguística que existe no Brasil – hoje ainda são faladas 274 línguas diferentes. Do ponto de vista antropológico, a língua de um povo é parte significativa da cultura, da sua leitura de mundo. Quando um povo perde a sua língua, ele perde também essa leitura de mundo.

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Daniel Munduruku no Lugar, 18 de agosto de 2021.

 


Nós vivemos em um tempo de tanta potencialidade e de tanta capacidade para o desastre. Vejo com a luz de Espinoza, o que está a passar é basicamente o seguinte:  é que o tal equilíbrio entre os dois afetos, que era preciso manter, o equilíbrio entre medo e a esperança, está desequilibrado totalmente. Há muito medo e pouca esperança, e o que dizia Espinoza é que quando há demasiado medo sem esperança pode ser destrutivo.

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Boaventura de Sousa Santos no Lugar, 11 de maio de 2021.

 


“Quem deve a carta para quem…?”

Em princípio, a minha motivação era fazer um filme sobre a minha avó, essa personagem, mãe da Anistia brasileira, como protagonista. Ao mesmo tempo, tinha um outro personagem, o meu pai. Ao longo do processo do filme, fui descobrindo que ele não falava sobre ela, apagava completamente o papel dela no caso dele. Parti dessa premissa, de pensar essa relação mãe e filho, a partir do momento em que me deparei com esse silêncio do meu pai. Que foi uma grande surpresa pra mim.

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Carol Benjamin no Lugar, 1o de abril de 2021.

 


“Maio de 2020

Exilado entre as quatro paredes do meu quarto
Tendo por única companhia
O silêncio ancestral dos meus gatos
Acompanho imperturbável
O naufrágio lento do imenso barco
Que outrora eu chamava utopia
Sei que por detrás das cortinas da janela […]”

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Luiz Ruffato no Lugar, 18 de novembro de 2020.

 


“É sempre a mesma história, mas… nem chego perto de contabilizar de quantas maneiras ela se desenrola. E não porque  seja preciso aprimorá-la, mas porque ninguém quer ficar condenado à mesma coisa… a cada execução, a narrativa se transforma tanto… Tem alguma coisa que, afinal, funciona nessa insistência”.
Julia Wähmann: Cravos (2016)

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“ (…) Sigo os passos,
Passo a passo.
e fundo outro caminho.

Sigo os passos.
Passo a passo.
Sigo e passo.
As águas passam,
e as pedras ficam…”
(Conceição Evaristo: No meio do caminho: deslizantes águas)

Não há como escrever a realidade: a realidade escapa, a realidade é incompreensível… quando você vive um fato e fala desse fato, a sua fala já modifica o fato. A literatura é isso tudo: é a realidade, é a modificação do fato, é a ampliação do fato… Leia mais.