Lugar

O Lugar, nas noites de quarta-feira na Escola Letra Freudiana – uma por mês – é um dos pontos de encontro entre Escola e cidade  sustentando nossa política de manter as portas abertas a tutti quanti. Diante de uma plateia de analistas e não analistas, um convidado fala de seu trabalho, de seu processo de criação. À moda de Pirandello, alguma coisa acontece na sala, e ela se livra do cotidiano.

Alguns textos dos convidados desses encontros estão publicados na Revista Lugar da Escola Letra Freudiana.


Alyne Camargo de Mattos
Deborah Tenenbaum
Josely Brasil de Matos Guedes
Monica Coutinho Herszage
Sonia Haddad

Uma quarta a cada mês, às 21h. 

 

Acontecências no Lugar

“Maio de 2020

Exilado entre as quatro paredes do meu quarto
Tendo por única companhia
O silêncio ancestral dos meus gatos
Acompanho imperturbável
O naufrágio lento do imenso barco
Que outrora eu chamava utopia
Sei que por detrás das cortinas da janela
Há rangidos, gritos, alvoroço
Mas meu corpo se recusa a ir até ela
Pois sondar o insondável
Não traria de volta o meu querê-la
E aguardo calmo a água me alcançar o pescoço

Eu idealizei futuros impossíveis, até quis
Abraçar as multidões, amar o estranho
Mas tudo que aqui finquei, toda raiz
Mostrou-se frágil, inviável
Percebo tarde demais que daquele país
Nada mais resta, nada ficou, nem mesmo o sonho.”

Um testamento político – poema escrito durante a pandemia.

Luiz Ruffato no Lugar, 18 de novembro de 2020.


“É sempre a mesma história, mas… nem chego perto de contabilizar de quantas maneiras ela se desenrola. E não porque  seja preciso aprimorá-la, mas porque ninguém quer ficar condenado à mesma coisa… a cada execução, a narrativa se transforma tanto… Tem alguma coisa que, afinal, funciona nessa insistência”.
Julia Wähmann: Cravos (2016)

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“ (…) Sigo os passos,
Passo a passo.
e fundo outro caminho.

Sigo os passos.
Passo a passo.
Sigo e passo.
As águas passam,
e as pedras ficam…”
(Conceição Evaristo: No meio do caminho: deslizantes águas)

Não há como escrever a realidade: a realidade escapa, a realidade é incompreensível… quando você vive um fato e fala desse fato, a sua fala já modifica o fato. A literatura é isso tudo: é a realidade, é a modificação do fato, é a ampliação do fato… Leia mais.