[…] que o escrito exija, de certa forma, essa redução às dimensões, às duas dimensões da superfície e que, de uma certa maneira, se acha sustentado, na natureza, por algo que já encantava Spinoza, ou seja, o trabalho de texto que sai do ventre da aranha. A teia de aranha, função verdadeiramente milagrosa de se ver, de certa forma já se sustentava nisso. Naquele ponto opaco desse estranho ser, os ‘pareceres/pareseres’ da própria superfície, aquela que, para nós, permite o desenho do rastro desses escritos que são, afinal, o único ponto onde achávamos apreensíveis esses limites, esses pontos de impasse, de sem saída, que fazem entender o Real como se acedendo, do Simbólico, ao seu ponto mais extremo.
LACAN, J. Encore.

 

Há uma escrita que se imprime em uma superfície material qualquer. Essa, por exemplo. Uma outra escrita também existe, uma escrita psíquica que cifra o gozo e possibilita a produção do sujeito e sua causa. Escrita ilegível, mas condição para uma posterior legibilidade da escrita impressa, essa cifra faz marca, traço, letra na superfície do aparelho psíquico freudiano.

Trabalhar essas questões coloca em jogo o que Lacan viria a chamar de lituraterra. Uma escrita que tangencia o real: realidade da letra e real da letra. Uma escrita que se faz não apenas com lápis, caneta ou teclado, mas também com o pincel, a câmera fotográfica, o cinzel… Não se trata de algo sem relação com a experiência analítica.

Exercitar as possibilidades de articular a psicanálise e essas versões da teia/texto da aranha lacaniana é o que se põe em perspectiva neste trabalho.

 

Francisco José Bezerra Santos

Início: março
Fortaleza/CE – Sábados às 10h30 (mensal – datas a combinar)