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N° 42 - Lugar

Diversos

O Lugar, nas noites de quarta-feira na Escola Letra Freudiana, é um dos pontos de encontro entre a Escola e a cidade, e sustenta a nossa...

R$ 37,00

Sumário

- Ditadura e exílio
Ferreira Gullar

- Opacidade
Angelo Venosa

- Pensando o fazer
Elizabeth Jobim

- Entre corpo e palavra
Laura Erber

- Vale a pena viver para isso
Nelson Felix

- Mais ao sul
Paloma Vidal

- Escreviver
Armando Freitas Filho

- Recife/Sevilha - João Cabral de Melo Neto
Bebeto Abrantes

- Bloomsday
Bernardina da Silveira Pinheiro

- Uma experiência fabricada
Bernardo Carvalho

- A vida é sempre a prova dos nove
Francisco Bosco

- Um escritor pulsional
João Moreira Salles

- Tourada com psicanalistas
João Paulo Cuenca

- Épuras do social
Joel Rufino dos Santos

- Seams
Karim Aïnouz

- Notas para um ensaio sobre os rastros
Martín Kohan (tradução: Paloma Vidal)

- Mal de Montano - um diagnóstico
Paulo Roberto Pires

- Relato político da experiência
Ronaldo Brito

- Um passaporte húngaro
Sandra Kogut

Apresentação

O Lugar, nas noites de quarta-feira na Escola Letra Freudiana, é um dos pontos de encontro entre a Escola e a cidade, e sustenta a nossa política de manter as portas abertas a tutti quanti. Abrir as portas é como oferecer um divã no qual nós podemos deitar, bem como os convidados e o público, alternativamente. A psicanálise está ali presente à espera de que algo apreendido e transmitido por alguém, com aquela particular experiência, a faça avançar.

Uma ótima oportunidade para o psicanalista formular a sua pergunta, graças à generosidade dos que se dispuseram a vir trabalhar conosco. Desse modo, o que chamamos de ‘função sujeito suposto saber’ entra em circulação. Os convidados sublinham que é um pouco estranho falar para um público de psicanalistas e não-psicanalistas; estes, por sua vez, estranham um pouco que o saber seja tão somente do Outro. Nessa experiência singular de se dizer, revela-se que o saber é de fato ‘do’ qualquer um.

Escrever sua própria experiência foi o passo decisivo de Freud, e a questão sobre o que se escreve de uma análise continua essencial. A escritura psíquica pode também tomar forma na literatura, na pintura, na escultura e no cinema. O que está em jogo para cada um no ato da criação? Quais são as condições de
emergência desse inédito? Uma ordenação espaçotemporal de letras, massas, cores e linhas conquista uma forma, ainda que ela só diga do informe. Ela se decompõe em rasuras, ranhuras, que evocam um mito de origem. O gozo do Outro terá deixado seus rastros, seus vestígios. Como o artista se vira com ‘isso’? Ele subverte, põe em suspenso a gramática pulsional e mostra o indizível. A opacidade está sempre na obra de arte bem como na interpretação analítica.

É preciso seguir o conselho de Clarice Lispector: não entupir as entrelinhas e buracos inerentes ao ato da escritura com palavras vazias mas aprender com eles os trilhamentos da letra e do significante. Aprende-se também que arte é coisa do corpo. O texto é o corpo, o Outro o desenha. A mão, a caneta, o pincel e o cinzel, a câmera fazem parte dele. O sujeito só é pertinente às coisas se as diz, se as escreve, pinta, subtrai uma parte, esculpe... Uma escritura terá sido parte do corpo de alguém.

Constituir uma publicação a partir desses encontros do Lugar representou um desafio que permitiu escrevê-lo de um outro modo, fazendo sobressair sua importância como respiração e abertura necessárias à existência de uma Escola de Psicanálise, trazendo a marca do não-todo.

O ponto de partida foram as transcrições dos encontros. A dificuldade para transformar uma fala em um escrito será sempre, como diria Roland Barthes, uma “toalete de morte”. Cada encontro, cada fala, cada texto e autor aqui registrado leva a marca particular de como se apresentou à Escola: encontros informais, falas de improviso, textos lidos, discussões após a apresentação de filmes e imagens de obras de arte. Cada um, a seu modo, se endereçou à Escola de uma maneira singular e isso torna esta publicação no 42, Lugar, tão significativa.

Que essa foi uma experiência frutuosa para muitos dos que participaram, não há dúvida. Esperamos que as transcrições ecoem, que funcionem como trans-liter-ações para o leitor: que ele prove um pouco do impacto do acontecimento, que o atualize a seu modo, pois só assim o registro ganhará o seu valor

I. B. P.
M. H. C. C.
P. B.
P. S.
R. S.

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