.:: “Com o escritor, o mundo inteiro escreve.” ::.

- Por que escritores?
Catherine Millot
- Um rosto para Duras: a escrita, a puta e o feminino de ninguém
Lucia Castello Branco
- “Isso escreve”
Patricia Sá
- As mulheres, os homens
Françoise Samson
- Lol V. Stein: uma ‘existência de discurso’
Leticia Nobre
- “Sem mim”
Alicia Liliana Sterlino
- As janelas do fantasma
Marie-Jeanne Sala
- O amante recomeçado, para que o romance não morra
Flavia Trocoli
- Dobra de renda escura que guarda o infinito
Janaina de Paula
- Uma ruína para a palavra amor:Marguerite Duras e o amor em fracasso
Paulo Fonseca Andrade

.:: “Texto teatro cinema.” ::.

- Agatha e o silêncio da sereia
Paula Strozenberg
- Marguerite Duras: escrever imagens
Gilda Maria Gomes Carneiro
Maria Helena Carneiro da Cunha
- De Hiroshima a Buchenwald, um outro amor
Eduardo Vidal
- Com o cinema, arrancar Lol do arrebatamento
Annie Tardits
- A escrita-cinema de Marguerite Duras
Valeria Campos
- Algaravia
Clara de Góes

.:: “E era isso a solidão.” ::.

- Psicanálise e Literatura: minha solidão encontra a sua
Eduardo Vidal
- Amor e Derrelição
Catherine Millot
- Marguerite Duras: La mer écrite: La mer, la mère, l’amer
Ruth Silviano Brandão
- A escrita das barragens
Ana Maria Portugal M. Saliba
- O que resta
Paloma Vidal
- Literatura incomparável, irredutível
Erick Gontijo Costa

Em 2014, quando Marguerite Duras completaria 100 anos, a Escola Letra Freudiana fez uma Jornada prestando-lhe homenagem. Duras diz que a solidão se faz. No entanto, ela fez mais do que isso, se fez M.D., fez de sua escrita letra irredutível, inapreensível. De letra, produziu teatro e cinema, que ela não distingue de literatura, inventando um modo singular de escrita e cena que não nos permite saber se estamos diante de roteiros, filmes, peças ou livros. O que ela fez não cabe em categorias, não se restringe a um gênero literário; é algo que ressoa com a letra de Lacan.

Esse encontro é o ponto de partida desta publicação. Uma revista, uma vista de novo do que há de interseção entre o discurso psicanalítico e A literatura de M.D. “Interseção”, como definida na Ata da Escola de 2014, entre a psicanálise e “outros discursos [que] reafirmam, a partir da especificidade do discurso analítico, a abertura da Escola a diversos campos do saber”; abertura, por sua vez, prevista desde a fundação da Letra Freudiana, em 1981, há exatos 35 anos, quando se institui “um projeto de produção e propagação no discurso da psicanálise e no campo da cultura”; cultura tal como Freud a emprega, ou seja, laços sociais que comportam a falta estrutural. A Ata de 2014 ratifica o que estava no princípio do projeto da Escola: o Campo da Extensão “trata dos laços da Escola com o campo psicanalítico e com outros discursos”.

Nesta direção, outros encontros aconteceram, também em torno d’A literatura. Catherine Millot fez uma palestra na UFRJ, conversou com a ELF, no Lugar, e participou como conferencista do “II Seminário de Estudos Literários da UFMG: pensar a literatura incomparável”, juntamente com Eduardo Vidal, a convite de Lucia Castello Branco. Distintas formas de pensar A literatura, mas sempre apontando para a barra, para a decisão de trabalhar na dimensão de letra, de risco, ocasionaram a abertura da discussão.

A presente publicação é resultado desses encontros e mais um, sempre renovado, com a École de Psychanalyse Sigmund Freud. Está dividida em três partes, cada uma nomeada com frases da própria M.D.: “Com o escritor, o mundo inteiro escreve”, “Texto teatro cinema” e “E era isso a solidão”.

Esta revista é, também, comemoração dos 35 anos da Escola Letra Freudiana.

P.S.