.:: Psicologia das massas e análise do eu ::.

- Kapitel VII: Die Identifizierung
Sigmund Freud
- Capítulo VII: A identificação
Sigmund Freud (Tradução: Eduardo Vidal)
- Kapitel VIII: Verliebtheit und Hypnose
Sigmund Freud
- Capítulo VIII: Enamoramento e hipnose
Sigmund Freud (Tradução: Renato Carvalho / Revisão: Sergio Becker)
- A identificação, uma opacidade real
Eduardo Vidal

.:: Identificação ::.

- “Se a Polônia não existisse...” Identificação e topologia
Eduardo Vidal
- Lalangue e a unicidade do traço unário
Sérgio Luiz Silveira Gondim
- O unário: da unificação à unicidade e à lógica do número
Marisa Siggelkow Guimarães
Tatiana Silvera Porto Campos
- Único-Traço-Unário
Francisco José Bezerra Santos
- Identificação sexuada
Ana Lucia de Souza
- É necessário que não
Ana Lucia Zacharias
- Nostalgia do real
Ana Maria Portugal Maia Saliba
- Tempo de uma escrita
Alicia Liliana Sterlino
- Uma leitura do seminário A identificação: pelo viés da angústia
Isabela Bueno do Prado
- “Saber aí fazer com seu sintoma”, não sem a identificação
Astréa da Gama e Silva
Dalmara Marques Abla
Diana Lidia Mariscal
Maria Célia A. Oliveira
Mauro Rabacov
Sergio Luiz Silveira Gondim
- Luto e acting-out na práxis psicanalítica
Glória Castilho
- Melancolia e identificação
Anna Beatriz Medici
- “Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o para fazê-lo teu”
Rute Perandini
- Identificação
Ana Lucia Zacharias
Rossely S. M. Peres
- Psicanálise para além e/ou para aquém do divã
Clara de Góes
María José Estevez Acuña
- A identificação e “o afogado mais bonito do mundo”
Elza Gouvêa
- A autobiografia de Eric Clapton
Maria Elizabeth Timponi de Moura
- Uma dupla volet identificatória: o caso André Gide
Olga Maria M. C. Souza Soubbotnik
- Freud: avesso da idealização e fora-hipnose
Sergio Becker
- “Talvez seja mais prudente...”
Letícia Nobre
- Para o passe, de um passe
Elisa Arreguy Maia
- Identificação na coerência de uma clínica
Benita Losada A. Lopes
- Travessia do plano da identificação: outro modo de fazer laço?
Arlete Garcia

A operação da identificação “não cessa de acontecer” no ser falante. É
uma operação lógica, escansões que se articulam como R.S.I.: identificação
ao pai, com dominância real; ao traço, einziger Zug, que sustenta o simbólico;
e identificação histérica, através do sintoma, com predominância imaginária.
A identificação é a estrutura nodal constituinte do sujeito.

Lacan extrai o ‘traço unário’ do ‘único traço’ de Freud e, a partir dele,
não apenas lê a operação lógica da identificação, mas situa o necessário para
escrever o triskel do nó borromeano. Este traço é o que nos leva a circunscrever
a identificação, tirá-la do plural e perceber que se trata de uma estrutura de
laço ao Outro.

Em “Psicologia das massas e análise do eu” encontramos o significante
“laço”, Bindung, na frase de abertura do capítulo VII, “A identificação”. Na
tradução de Eduardo Vidal: “a identificação é conhecida pela psicanálise como
a primeiríssima exteriorização de um laço de sentimento a uma outra pessoa.”
Aqui já temos pressuposto o campo do Outro, lugar vazio onde se funda o
sujeito. A identificação ao pai, o pai tomado por ideal, prepara o complexo
de Édipo e possibilita o investimento libidinal. Édipo não é uma história com
personagens, é uma topologia, laços enodados borromeanamente.

A partir do complexo de Édipo, da incidência da castração e do sentimento
de culpa, o objeto é constituído como perdido e o sujeito faz “uma identifica-
ção parcial, altamente limitada, tomando emprestado apenas um único traço
[einziger Zug] da pessoa-objeto”. Freud assim define: “a identificação teria se
colocado no lugar da escolha de objeto, a escolha de objeto teria regredido à
identificação”. Regredindo pelo trilhamento da identificação ao pai, o sujeito
faz sintoma copiando um único traço de gozo tomado do sintoma do outro,
amado ou odiado. O einziger Zug é o termo que enoda o complexo de Édipo
e sua pré-história, a identificação ao pai. A introjeção significante diz da perda
do objeto e presentifica sua falta; situa, assim, o lugar vazio da estrutura.

O terceiro modo da identificação trata de uma outra formação de sintoma,
não mais identificação a um traço copiado da pessoa-objeto, mas a um ponto
estranho percebido em outro eu “não tomado como objeto das pulsões sexuais”.
Freud fala da “identificação através do sintoma” como o “início de um novo
laço”. “A identificação através do sintoma torna-se assim um signo para um
lugar de recobrimento de ambos os eus que deve ser mantido recalcado”. Isso
é o que sustenta o laço do sujeito a uma “comunidade afetiva”, fundada na
não-relação, onde se articula o desejo do Outro.

A partir da identificação ao pai, se enlaçam os três tempos da operação
de identificação, sendo o terceiro – ao desejo do Outro – o que constitui o
nó do laço social.

Em 2014 e 2015, a Escola trabalhou, respectivamente, A identificação e
o real do sexo e Identificação, o que nos levou a tomar a identificação como
estrutura constitutiva do sujeito. A presente publicação busca circunscrever a
identificação tal como postulada por Freud e retomada na leitura de Lacan.
Além de textos produzidos nos dois anos de trabalho, a revista conta com a
tradução dos capítulos VII, por Eduardo Vidal, e VIII, por Renato Carvalho,
de “Psicologia das massas e análise do eu”.

P.S.