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N° 50 - Autismo

Vários autores

A Escola Letra Freudiana tem uma longa trajetria em torno da questo do autismo. Em 1987, h exatos 30 anos, a Letra Freudiana...

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Sumário

PARTE I O autismo

As diversas abordagens

- O autismo segundo Leo Kanner
Arlete Garcia
- O mundo do encontro: Bruno Bettelheim. Consideraes acerca do autismo infantil
Jos Carlos de Souza Lima
- Autismo: uma fase inevitvel em Margaret Mahler
Ana Lcia Zacharias
- Autismo, uma sndrome patolgica particular: Donald Meltzer
Cora R. S. Vieira
- O autismo segundo Serge Lebovici
Beatriz Elisa Ferro Siqueira
- O buraco negro Frances Tustin
Myriam R. Fernndez

Frances Tustin: escrito, carta, entrevista

- A perpetuao de um erro
Frances Tustin
- Carta a Claude Allione
Frances Tustin
- Entrevista
Frances Tustin / Eduardo Vidal

Com Freud e Lacan: a estrutura

- O sujeito inconstitudo em Lacan
Benita Losada Albuquerque Lopes
- O que o autista nos ensina: consideraes sobre a alienao
Eduardo Vidal
Mara Cristina Vecino Vidal
- O autismo na estrutura: Rosine e Robert Lefort
Nilza Ericson
- Carta a Rosine e Robert Lefort
Eduardo Vidal
Nilza Ericson
- Resposta de Rosine e Robert Lefort

Vinhetas clnicas

- Questes acerca do autismo
Elisa C. de Oliveira
- Autismo e psicose
Vera Vinheiro
- Do escape... ao monstro
Tnia Dias Mendes
- O autismo e sua sada: o pai demorado
Maria Lcia de Castro Alves

Um caso clnico

- Fabian, a criana do computador fragmentos da cura analtica de uma criana autista de 4 anos
Hctor Yankelevich

PARTE II Clnica do autismo: desejo e aposta

De Freud a Lacan um pouco de estrutura

- O autista e o psictico na estrutura de linguagem
Arlete Garcia
Lcia Magno Lopes Pereira
Rossely S. M. Peres
Silvia Disitzer
Vera Vinheiro
- Das Ding, o autismo e a constituio do sujeito desde Freud
Anna Beatriz Medici
- Do signo ao significante
Benita Losada Albuquerque Lopes
- Onde localizar o autista na condenao significante?
Cacilda Vieira Bruni
Licia Magno Lopes Pereira
- Quando a lngua materna estrangeira
Ins Cato
- Autismo uma direo do tratamento possvel com a psicanlise
Heloisa Godoy

Autismo direo da cura

- Silncios
M. Luca Silveyra
- Seres verbosos. Sobre os efeitos do tratamento analtico do autismo
Elisa C. de Oliveira
- Sobre a clnica um descongelamento
Ilana K. Valente
Vera Vinheiro
- Autismo: corpo e linguagem
Maria Luiza Zanotelli
- A escuta do psicanalista na clnica do autismo: algumas reflexes
Bianca Freitas
Jane Bravo Gorne
- Da incorporao da linguagem escrita
Ana Serra
- Como gua viva: lalangue e voz na clnica do autismo
Regina Macna
Igor... Cad o Igor?
Silvia de Lima

Dilogos com a medicina e outros saberes

- Autismo, psicanlise, neurocincias
Jos Carlos de Souza Lima
Rochelle Gabbay de Souza Lima
Silvia Disitzer
- O que o Asperger ensina sobre a insondvel deciso do ser
Sandra Dias
- O que se inscreve da psicanlise na medicina? ...Ou ainda, o que da (disso, dessa interdiscursividade) ressoa? Desejo e aposta
Maria Tereza Martins Ramos Lamberte
- Dilogos entre escola e equipe de sade: exemplos bem-sucedidos de aes integradas na sala de aula para adolescentes aspergers e autistas que frequentam escolas regulares
Fernando Machado Rodrigues
- Mulher-me-professora: ensinando, aprendendo e (con)vivendo com os comportamentos do Transtorno do Espectro do Autismo
Fabiana Ferreira do Nascimento
Mara Monteiro da Cruz
- Incluso e mediao escolar
Nira Kaufman
Sheina Tabak
Julia Mafra
- O debate contemporneo acerca do autismo no Brasil
Bruno Diniz Castro de Oliveira

Poltica do autismo

- Poltica do autismo
Eduardo Vidal
Mara Cristina Vecino Vidal
- A criana autista e a introduo da letra de Lacan na psicanlise em castelhano
Eduardo Vidal

Apresentação

A Escola Letra Freudiana tem uma longa trajetória em torno da questo do autismo. Em 1987, h exatos 30 anos, a Letra Freudiana, recm fundada Escola, escreve, pela primeira vez, um texto coletivo, O autismo. Elaborado a partir das investigaes do seminrio de psicanlise com crianas, foi apresentado no 5 Encontro Internacional do Campo Freudiano, em 1988, na Argentina.

Num segundo tempo, em 1995, a Escola lana a revista O autismo, ocasio em que trabalhou diversos autores e abordagens psicanalticas sobre o tema. Freud, em 1911, utilizara a expresso satisfazer autisticamente, referindo-se ao sistema psquico fechado em um (eingeschlossene), ao assinalar a importncia do tempo da fundao e da constituio do sujeito. Chamara a ateno isto no deve ser esquecido para os processos psicolgicos da primeira infncia na investigao da libido narcsica. Em 1930, Melanie Klein dera incio ao
tratamento psicanaltico de um autista, o famoso caso Dick, no qual o olhar e a escuta do analista recaram sobre a singularidade do paciente. Em 1943, Kanner descreve uma sndrome cujas caractersticas no haviam sido, ainda, relacionadas, nomeando-a autismo precoce infantil.

O autismo interessa sempre ao analista porque traz o enigma que, com funo de um meio-dizer, o interpela na sustentao do saber em funo de verdade. Certamente, no apenas pelo enigma que a psicanlise se norteia em busca de respostas. Trata-se de pensar a clnica, que orienta a formao do analista, nos pontos em que faz ressaltar tanto o real em cena, que Freud j assinalara, como o desejo em causa. pelo dispositivo analtico que os operadores desejo e discurso do analista comparecem, possibilitando abordar o gozo fechado, congelado, autstico.

Em 2015, num terceiro tempo, a Escola organiza a jornada Clnica do autismo: desejo e aposta para comemorar os 20 anos de lanamento da revista, priorizando a direo da cura e reconhecendo a necessria interlocuo no apenas com diferentes abordagens psicanalticas, mas com outros campos de saber. Freud, em O interesse na psicanlise, formula a extenso da nova cincia como um roar outros diferentes domnios de saber o que no se confunde com a aplicao de um saber constitudo sobre outro j existente, tampouco com uma integrao complementar de saberes. Escutar o primeiro passo para o dilogo.

Agora, em 2017, momento de publicar. Nmero 50 na srie das revistas da Escola Letra Freudiana, Autismo rene a primeira edio j esgotada de O autismo com os trabalhos apresentados na jornada de 2015 e alguns outros. O ttulo, escrito na capa sem intervalos entre as letras, como um bloco, algo monoltico, traz a noo do congelado, o em si mesmo autstico. A capa inspirada no desenho de uma criana autista trabalhado pelo artista plstico Deco Dias Soares, com linhas levemente tracejadas, mais marcas do que traos, que no chegam a fazer dessa escrita uma inscrio. Linhas que se cruzam, se tocam, mas no contornam o ponto cheio, opaco, e se dirigem ao infinito indicando uma ausncia de borda e, embaixo, mais uma marquinha... tmida tentativa de fazer uma srie.

Ante a deciso de reeditar a revista O autismo, os autores dos artigos foram convocados a rever, reler, repensar seus textos. Deu-se ento o singular encontro entre autor-leitor e escrito, aps 20 anos. Texto e leitor fazem um lao necessrio, um no existe sem o outro. O escrito precisa do leitor para manter-se vivo, e o leitor-autor precisa do texto para manter-se ativo, interessado e implicado no porvir. Nessa reviso, releitura, repetio, encontramos o diferente alguns autores-leitores mantiveram o texto como tal, outros o
repensaram e modificaram e uns poucos fizeram at uma reescrita. A repetio no do mesmo, traz um novo olhar, o diferente. a mesma revista? e no . Est aguardando leitores para confirmar sua presena, sua marca.

A controvrsia que nos assola a respeito da etiologia do autismo leva a precisar e sustentar o que prprio da psicanlise: escutar o sujeito em seu sofrimento. O analista, munido de um saber fazer, com sua escuta e com a tica prpria do discurso do analista... opera

P.S.
R.S.M.P.
V.V

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