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N° 49 - Identificao

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A operação da identificação “não cessa de acontecer” no ser falante. É uma operação lógica, escansões que se articulam como...

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Sumário

Apresentação

A operação da identificação “não cessa de acontecer” no ser falante. É uma operação lógica, escansões que se articulam como R.S.I.: identificação ao pai, com dominância real; ao traço, einziger Zug, que sustenta o simbólico; e identificação histérica, através do sintoma, com predominância imaginária. A identificação é a estrutura nodal constituinte do sujeito.

Lacan extrai o ‘traço unário’ do ‘único traço’ de Freud e, a partir dele, não apenas lê a operação lógica da identificação, mas situa o necessário para escrever o triskel do nó borromeano. Este traço é o que nos leva a circunscrever a identificação, tirá-la do plural e perceber que se trata de uma estrutura de laço ao Outro.

Em “Psicologia das massas e análise do eu” encontramos o significante “laço”, Bindung, na frase de abertura do capítulo VII, “A identificação”. Na tradução de Eduardo Vidal: “a identificação é conhecida pela psicanálise como a primeiríssima exteriorização de um laço de sentimento a uma outra pessoa.” Aqui já temos pressuposto o campo do Outro, lugar vazio onde se funda o sujeito. A identificação ao pai, o pai tomado por ideal, prepara o complexo de Édipo e possibilita o investimento libidinal. Édipo não é uma história com personagens, é uma topologia, laços enodados borromeanamente.

A partir do complexo de Édipo, da incidência da castração e do sentimento de culpa, o objeto é constituído como perdido e o sujeito faz “uma identificação parcial, altamente limitada, tomando emprestado apenas um único traço [einziger Zug] da pessoa-objeto”. Freud assim define: “a identificação teria se colocado no lugar da escolha de objeto, a escolha de objeto teria regredido à identificação”. Regredindo pelo trilhamento da identificação ao pai, o sujeito faz sintoma copiando um único traço de gozo tomado do sintoma do outro, amado ou odiado. O einziger Zug é o termo que enoda o complexo de Édipo e sua pré-história, a identificação ao pai. A introjeção significante diz da perda do objeto e presentifica sua falta; situa, assim, o lugar vazio da estrutura.

O terceiro modo da identificação trata de uma outra formação de sintoma, não mais identificação a um traço copiado da pessoa-objeto, mas a um ponto estranho percebido em outro eu “não tomado como objeto das pulsões sexuais”. Freud fala da “identificação através do sintoma” como o “início de um novo laço”. “A identificação através do sintoma torna-se assim um signo para um lugar de recobrimento de ambos os eus que deve ser mantido recalcado”. Isso é o que sustenta o laço do sujeito a uma “comunidade afetiva”, fundada na não-relação, onde se articula o desejo do Outro.

A partir da identificação ao pai, se enlaçam os três tempos da operação de identificação, sendo o terceiro – ao desejo do Outro – o que constitui o nó do laço social.

Em 2014 e 2015, a Escola trabalhou, respectivamente, A identificação e o real do sexo e Identificação, o que nos levou a tomar a identificação como estrutura constitutiva do sujeito. A presente publicação busca circunscrever a identificação tal como postulada por Freud e retomada na leitura de Lacan. Além de textos produzidos nos dois anos de trabalho, a revista conta com a tradução dos capítulos VII, por Eduardo Vidal, e VIII, por Renato Carvalho, de “Psicologia das massas e análise do eu”.
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